Mantendo uma vida sexual ativa
Porque fazer sexo é bom...
1 – Proteção cardiovascular
O coração pode até sair ganhando de verdade quando um sexo mais caliente marca
presença no dia a dia. “Durante a relação sexual, como em um exercício físico
moderado, há um aumento temporário do trabalho cardíaco e da pressão arterial”,
explica o cardiologista José Lazzoli, da Sociedade Brasileira de Medicina do
Exercício e do Esporte. Para preservar as artérias, contudo, é preciso suar a
camisa no mínimo 30 minutos diários cinco vezes por semana. “E nem todo mundo
consegue fazer sexo com essa duração e frequência”, observa o especialista.
Então, a mensagem é somar às noites intensas uma corrida ou caminhada no parque
pela manhã, por exemplo. Recado à turma que tem hipertensão descontrolada ou
doença coronariana: consulte o médico. Nesses casos, tanto o coração pode
atrapalhar o sexo quanto ele pode atrapalhar um coração com problemas.
2 Um remédio contra a dor
Durante o bem-bom, o corpo fabrica uma porção de
substâncias, entre hormônios e nurotransmissores. Uma delas é a endorfina, a
mesma que dá as caras quando se pratica um exercício físico por alguns minutos.
Essa molécula capaz de aliviar as sensações dolorosas é descarregada para valer
no ápice da relação, o orgasmo. “Ela é o maior analgésico do nosso corpo”,
afirma a médica Ruth Clapauch, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e
Metabologia. E sua ação se prolonga após o ato sexual. Os especialistas estão
começando a acreditar que, somada ao trabalho da ocitocina – outro hormônio
liberado na hora do gozo -, a endorfina ajuda a aplacar dores crônicas na
cabeça e nas juntas.
3 – Um basta ao excesso de estresse
Ninguém precisa ser cientista para saber que uma boa transa apaga a quase
inevitável tensão do dia a dia. Mas saiba que até os pesquisadores estão cada
vez mais interessados nesse potencial, que é maior quanto mais intenso for o
sexo. Um estudo da Universidade de Paisley, na Escócia, constatou: os
voluntários que faziam questão da penetração respondiam melhor a situações
estressantes. “A atividade sexual diminui o nível de ansiedade”, diz o
urologista Joaquim de Almeida Claro, da Universidade de São Paulo (USP). “Só se
deve tomar cuidado para não transformar o sexo a dois numa mera descarga de
estresse”, lembra a psicóloga Ana Canosa, da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana.
É que, nesse caso, vira algo mecânico, quase obrigatório, sem envolvimento
emocional. Aí não tem graça – e nem tanto efeito.
4 – Autoestima lá em
cima
Qual o órgão do seu corpo que mais se
aproveita de uma extenuante sessão a dois? Ele mesmo,
o cérebro. Ora, lá se encontra o verdadeiro terminal do prazer. Quem agrada
constantemente essa central de instintos e emoções ganha uma baita massagem no
ego. “A autoestima melhora porque o indivíduo se sente desejado pelo outro”, resume a psicóloga Ana Canosa, de São Paulo.
E não pense que essa guinada no astral se deve apenas ao orgasmo. “As
preliminares também são fundamentais, sobretudo para a mulher, que precisa ser
tocada e beijada. A excitação promove uma maior liberação
de hormônios, aumentando o tamanho do canal vaginal e as chances de chegar ao
orgasmo”, diz o ginecologista e obstetra Francisco Anello, do Hospital e
Maternidade São Luiz, em São Paulo. Ou seja, tudo que antecede a penetração tem o seu valor para o corpo e para a mente dos parceiros. É claro que a
relação não se restringe ao momento de catarse. “Mas sem orgasmo não se usufrui
de todo o bem-estar após aquele acúmulo de tensão”, diz Ana.
5 – Mais prazer, menos gordura
Para manter a forma, homens e mulheres podem se dirigir a uma quadra de
futebol, a uma piscina ou, por que não, a uma cama. Ora, o sexo é saboroso
esporte de dupla. É óbvio que não dá para pensar em eliminar a barriga de chope
ou definir a silhueta apostando apenas nisso. Mas ele não deixa de ser um
aliado da queima de pneus. “O esforço de uma atividade sexual equivale, em
média, a um trote a 7,5
quilômetros por hora”, calcula o cardiologista José
Lazzoli. “Dependendo da intensidade da relação, é possível queimar de 100 a 300 calorias”,
contabiliza Anello.
6 – Defesas reforçadas
Fazer sexo uma ou duas vezes por semana tornaria o sistema imune mais preparado
para entrar em combate. É o que sugerem pesquisadores americanos que compararam
amostras da saliva de pessoas sexualmente ativas com as de voluntários que
pouco se aventuravam na cama. Eles concluíram o seguinte: quem transava com
certa frequência abrigava mais anticorpos. O resultado, no entanto, ainda
carece de um consenso entre os médicos. Isso porque, para muitos deles, uma
defesa mais a postos não seria fruto da atividade sexual em si. “Há, sim,
trabalhos mostrando que pessoas felizes têm melhor resposta imunológica. E a
atividade sexual sem dúvida traz felicidade e qualidade de vida”, pondera
Joaquim Claro.
7 – Músculos fortalecidos
Não dá para elevar o quarto à condição de academia, mas a atividade entre
quatro paredes exige o esforço de alguns grupos musculares. Tudo depende, por
exemplo, das posições na hora agá, mas é possível trabalhar as coxas, o dorso e
o abdômen. No caso das mulheres, a relação ainda cobra a movimentação dos
músculos da vagina. “Há um aumento do fluxo sangüíneo para a região”, conta a
fisioterapeuta especialista em urologia Sophia Souto, da Universidade Estadual
de Campinas, a Unicamp, que fica no interior paulista. “Durante o orgasmo, por
exemplo, há uma contração dos músculos pélvicos”, diz. Quando unida a
exercícios específicos para aumentar o controle da própria vagina, a relação
ajudaria a tonificar sua musculatura, diminuindo o risco de problemas como a
incontinência urinária.
8 – Lubrificação nota 10
Essa é para as mulheres que se aproximam da menopausa ou já atravessam o
período marcado pela derrocada do hormônio feminino. Um dos principais reflexos
da queda de estrogênio é a falta de lubrificação na vagina – um problema
bastante comum, que leva à secura nessa região. “Mas aquelas que, após essa
fase, mantêm relações sexuais tendem a apresentar menos atrofia do órgão
genital”, conta a ginecologista Carolina Carvalho Ambrogini, da Universidade
Federal de São Paulo, a Unifesp. Já as mulheres que raras vezes se divertem com
o companheiro não só sofrem mais com o incômodo como também podem sentir mais
dores durante a penetração.
9 – Para dormir pesado
Sim, uma noite tranquila também depende de uma cama movimentada. O que o casal
costuma comprovar na prática a medicina sabe explicar: “A relação favorece o
relaxamento muscular”, afirma o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano.
Isso porque, graças ao orgasmo, o corpo recebe uma enxurrada de substâncias que
não demoram a agir, fazendo com que o indivíduo sinta uma mistura de bem-estar
e exaustão. “O sono costuma vir depressa depois de um sexo mais vibrante”,
observa Marzano. Mas, caro leitor, aguarde mais um pouco antes de rumar ao
quarto.
A ciência está interessada em
prolongar a sua atividade sexual. O avanço da idade, não há como negar, cria
alguns empecilhos que esfriam uma relação aqui, outra acolá. Mas os
profissionais de saúde já têm na manga estratégias para contorná-los. É o caso
da terapia hormonal, que, quando bem receitada, dá aquela força para a vida
sexual ativa. No caso das mulheres, a reposição de estrogênio atenua a secura
vaginal – e o destaque é o creme à base do hormônio aplicado na vagina. “Ele
melhora a lubrificação sem ser absorvido pelo corpo”, diz Francisco Anello. Ou
seja, não há efeitos colaterais. Para reerguer a libido do casal, já foi
aprovada na Europa a reposição de testosterona na forma de adesivo. “A questão
é polêmica, mas estudos mostram que ela dobra o número de relações sexuais”,
conta Ruth Clapauch. A terapia com o hormônio masculino é receitada há mais
tempo, só que por outras vias, para os homens. O seu objetivo, porém, não é
corrigir somente o tesão minguado. “Ela beneficia a massa muscular e alivia a
depressão, além de melhorar a vida sexual, mas a indicação deve ser rigorosa”,
avalia Joaquim Claro.