terça-feira, 21 de agosto de 2012

O DIA DE UM TÂNTRICO!




É fato que muita gente acredita ser o Tantra somente uma poesia erótica, um pouco de sexo e acabou. A poesia faz parte do Tantra, o sexo de forma sacralizada faz parte do Tantra, mas somente estas coisas não definem o
 Tantra- se é que o Tantra tem alguma definição, pois o Tantra está muito além da lógica.
Quando um Busca Amor (Buscador) se dedica a experienciar e a entrar de cabeça nesse mundo mágico e ritualístico se surpreende com tantas novidades que o Tantra lhe apresenta que, em pouco tempo, muda completamente seu conceito sobre o Tantra, o corpo, os relacionamentos e a sexualidade...
Bem de longe o Tantra é uma Arte Sexual como muitos autores de livros e professores por aí apontam em seus cursos e grupos. O Tantra não é uma arte sexual acrobática, nem um grupo de “desavisados’, sem nenhum conhecimento energético, fazendo orgias. Isso é Swing. Não é Tantra. Por compreender o corpo como sagrado, os Tantras são absolutamente diferentes disso. Os Tantras cuidam das suas energias; cuidam da sua Sexualidade, pois nela reconhecem um Poder Intrínseco; uma alavanca para o reconhecimento de si mesmos – o que não quer dizer que abominem a coisa alguma.

O dia a dia de um praticante de Tantra é igual ao da maioria das pessoas do Planeta, salvo algumas exceções.
Longe de nós, querer dizer que esse é o melhor Caminho a se seguir, mas é para nós um mundo onde nos encontramos enquanto nos “perdemos” em abraços, em carinhos, no simples ato de celebrar a vida e o momento presente..
Veja bem, se perder implica em deixar a mente de lado, enquanto nos aprofundamos em cada experiência que a vida nos oferta. Estamos inteiros a tudo o que fazemos e “não” fazemos. O lema do tântrico é a Entrega; é dar-se a oportunidade de Experimentar...
Estamos no mundo, sem fazer parte do mundo...
O próprio Cristo no Evangelho de Tomé diz:

“Busqueis e encontrareis. E ao encontrar ficará perdido. E o perder-se ficará maravilhado. E então, reinará sobre o Todo.”.

A palavra “perder-se” aqui é no sentido que aponta esta máxima, pois o que se percebe em termos de Consciência é algo incalculável. O que se percebe em termos de criatividade é inimaginável para quem busca no Tantra a satisfação de seus desvios sexuais. O que se percebe em temos de amorosidade é incomparável, num momento em que o Planeta pede novas formas de se relacionar e os modelos antigos já não trazem a felicidade.
Esta é nossa Sãdhana (caminho espiritual). O que nossa alma escolheu para vivenciar.

Os Tantras são pessoas cheirosas, educadas, sensíveis, gentis, espontâneas, sinceras e amorosas, respeitam todas as formas de vida existentes e se sentem parte integrante dela.
Por opção abandonamos os conceitos sociais de felicidade e de convivência, pelo simples fato que de nada precisamos para ser Felizes, a não ser o fato de existir.

Para ser um praticante de Tantra (Sádhaka/Sádhika) não é necessário abandonar tudo e se isolar na montanha ou em uma caverna. É preciso ter disciplina, amor e força de vontade, porque esse caminho exige muito do praticante.

Falamos de tudo e estamos em todos os lugares, estamos relaxados por entender que a vida é cheia de contratempos e que nem sempre as coisas saem como esperamos. Sem julgamentos de certo ou errado aceitamos as condições que são impostas pela sociedade em que vivemos, mas simplesmente a abandonamos, por opção. E isto acontece de forma natural, sem a imposição de ninguém. Conforme a consciência avança, os padrões caem, os conceitos caem, os paradigmas caem, os tabus somem e a vida se mostra exatamente o que ela é: Uma grande brincadeira. Mas isto, claro, se o Sádhaka for perseverante e tiver um propósito espiritual verdadeiro.

´´Tudo neste mundo é Sagrado. Mas para que voce compreenda e vivencie isso, antes de mais nada voce deve se reconhecer uma pessoa Sagrada. Se não voce conseguirá ver o Sagrado somente em algumas coisas e enquanto vê o sagrado somente em algumas coisas voce precisa fazer escolhas. Se tudo é sagrado, onde estão as escolhas? A vida simplesmente acontece. Voce se torna um rio que hora se encontra com outros rios e hora, está só a caminho do mar.” (Anand Milan e Chandra Veeresha)

Somos livres por natureza e é essa essência de liberdade que nos motiva ir em busca de moksã (Liberação Espiritual), fazemos da nossa vida um Ritual Devocional.

Vivemos nossa vida com prazer (Bhoga) e ao longo do nosso dia deixamos que tudo se manifeste por inteiro: as emoções, a sexualidade, o prazer, o amor, a intuição...

O que fazemos quando sentimos ódio? Nada. Deixamos que o ódio tome conta de nós até chegar ao ponto de doer o corpo, mas não agimos. Nessa “não” atitude, o ódio se transforma em energia criativa podendo percorrer muitos caminhos, transformando-se em coragem, em afeto, em amor, ou numa canção, numa poesia, numa linda melodia interior...
O que fazemos quando sentimos ciúmes? Nada. Sabemos que o ciúme é parte do Ego que se sente dono do (a) outro (a). Reconhecemos que ninguém é de ninguém, mas todos são de todos (como diz a música de Marisa Monte). Isso não quer dizer que não haja dor, mas com o tempo e a prática, estas energias passam cada vez mais rapidamente por nós e se transformam sem a menor necessidade de atitude por nossa parte. Claro que cada Sádhaka ou Sádhika tem sua consciência individual, o que vai pesar no resultado da “não” ação, mas aos poucos, uma emoção destrutiva vira poder pessoal.

O que fazemos quando sentimos tesão? Não nos camuflamos. Entramos de corpo e alma. Com verdade pessoal, honestidade, aceitação do nosso corpo e do prazer. Estamos sempre prontos para compartilhar. Mas isto implica uma grande confusão na cabeça da maioria das pessoas, pois o verdadeiro compartilhar só pode acontecer entre pessoas “inteiras”, nunca entre “metades”- e nós Tantras, somos conscientes disso. Deixamos os que não querem compartilhar seguirem seus rumos. Só é capaz de compartilhar, aquele que antes, aprendeu a arte de estar sozinho. Por isso, existem milhares de práticas tântricas individuais – mas a maioria pensa em Tantra como um caminho para casais, quando na verdade, os casais só são casais quando sabem ficar sozinhos- quando sabem o poder da sua individualidade- e quando se unem a magia é imensa; o amor flui...

Somos vegetarianos (a maioria dos tântricos) porque amamos os animais e porque acreditamos que é vontade divina que eles estejam vivendo neste mundo. Não pregamos vegetarianismo com uma bandeira para desunir as pessoas – como uma religião. E mesmo a opção alimentar é algo que acontece dentro do Sãdhana, assim como a queda de determinados hábitos e vícios. Tudo é um acontecimento que claro, exige disciplina até determinado ponto e aceitação para compreender o que não pode ser mudado pela mente.
Como já foi dito, nada é forçado. Quanto mais o praticante se aprofunda, mais vê as suas máscaras caírem.


Esta é nossa Sãdhana. Este é o caminho do Tantra.
Deixamos-nos mover pela vontade de escrever (mais) este texto para que outras pessoas sintam o chamado do Tantra em seus corações, (deixando de lado algumas ilusões e preconceitos criados por leituras sem profundidade ou por falsos orientadores interessados apenas em dinheiro ou em montar um “arem”) e se atirem, pois a vida passa...

Um grande e terno beijo!
Por: Anand Milan e Chandra Veeresha

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